terça-feira, 11 de agosto de 2009

Marco Zero



Pois é pessoal, o Vitrola ta acontecendo e começou com pé direito, ou melhor; com o pé na porta. No último sábado, dia 8/8, aconteceu o nosso show marco zero, onde a banda Vitrola São Jorge começou a trilhar seu caminho. É difícil até pensar no que aconteceu, o show foi na pressão total, desde o primeiro toque das congas do Hugo até o quinto bis, o Vitrola começou com tudo, mostrando que veio não só pra ficar, mas pra se misturar.

O Evento

O show foi marcado para as 21 horas, afinal, estávamos com medo de conflitar horários com os eventos de mais porte da cidade. O fato é que as 20:40 tinham menos de 20 pessoas no Teatro das Marias, o que gerou um certa aflição de nossa parte. Mas aos poucos foram chegando alguns amigos e mais amigos, gente de todas as idades. Ficamos surpresos, pois conseguimos encher o teatro, sobretudo, com um público eclético, participativo e completamente aberto para as experiências musicais propostas pela banda. Foi um sucesso.
A banda passou o set list todo, tocou as novas músicas, que ninguém conhecia, e fez o povo dançar ao som de Cavaleiro de Aruanda e Sou do Samba. Quanto mais agitação do público, mais empolgação da banda e foi assim até o final.

Participações

Em nome do Vitrola São Jorge, queremos agradecer especialmente a duas pessoas que foram essenciais, não apenas pelo talento, mas, sobretudo pelo carisma e solidariedade. Marcello Santos (Caravana Cultural) foi uma surpresa mágica, pois subiu no palco para fazer duas músicas com a gente, porém, resolveu ficar até o final do show e deu um brilho especial para o som do Vitrola, entoando, junto ao Hugo e o Gringo, o coro pesado da percussão, que virou marca na banda. O outro agradecimento vem para a rosa que encantou a todos, nossa amiga Adriana de Maria (Samba de Rosas) que mostrou que é do samba até morrer e desfilou seu samba no pé e na voz. Mais uma amiga que o Vitrola conseguiu, sorte nossa ter uma rosa dessa por perto.
O último agradecimento vai para o Fabiano de Cristo (Fulô da Aurora) que deu uma canja com a gente no palco, visto que o Vitrola não conseguia mais descer por conta do coro de bis, resolvemos (idéia da Valéria) chamar o Fabiano e todos que quisessem subir, para fazer um som coletivo, e foi o que aconteceu. Valeu Fabiano, Vitrola agradece a participação inesperada e que acrescentou muito ao espetáculo e da próxima vez, não terminaremos o show, vamos ficar batucando nem que seja em cortejo pelas ruas da cidade o som não pode parar (rsrsr).

Agradecendo afinal...

Pois é, agradecemos a toda galera que esteve presente nesse início promissor do Vitrola São Jorge no cenário da música cearense, pois em alguns momentos foi complicado, tanto a união dessas 5 pessoas quanto a troca amistosa e coerente de experiências musicais e de vida. Agradecemos também ao projeto Companhia Tambores da Mata: “nossos moleques deram um show!” e arrancaram um monte de aplausos e pedidos de bis. Isso mostra que o trabalho com os meninos da Vila União vem dando certo, pois eles subiram no palco e passaram a mensagem do seu bairro e, através do peso dos Tambores da Mata, conseguiram fechar mostrar que são talentosos e sabem a força que carregam em sua música.

E aos meninos que deram um show: Anderson Camelo, Daniel Silvio, Gringo e Hugo Costa!

Salve Jorge!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sambando com uma das rosas

(Samba de Rosas)

É com alegria quase enjaulante que venho anunciar, nem que seja para ninguém, que uma das nossas queridas rosas do Samba de Rosas, participará do nosso show agora no próximo sábado. Adriana de Maria (voz e percussão) vai nos dar a graça de cantar Sou do Samba no palco. Na verdade é uma idéia antiga, ouvir uma voz feminina cantando essa música. Como tivemos a oportunidade de nos esbarrar com a Adriana pelos conglomerados sociais da nossa cidade rolou o convite na hora.

O bom da Adriana de Maria é a verdade que existe nela. Um negra, linda, que com certeza vai bossar sua voz nos versos "eu sou do samba, vou ser do samba até morrer". É difícil perder essa chance heim. O grupo Samba de Rosas é composto só por mulheres e algum tempo vem rodando o cenário da cidade espalhando flores por aí. O Vitrola com certeza receberá a bela moça de braços abertos.

Não esqueçam, show no próximo sábado (8/8) no Teatro das Marias...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Na preparação

O dia se aproxima - 8 de agosto, Teatro das Marias (prox. Hey Ho) - ontem acertamos o que faltava das outras músicas, foi interessante por que até então não sabíamos o que viria pela frente. O show está bem coeso, fechado, as músicas já foram todas executadas. Acertamos duas parecerias e uma surpresa interessante. As parcerias são do percussionista Marcello Santos, que hoje está à frente da Caravana Cultural, Afoxé Acabaca entre outras coisas... Dos meninos da Companhia Tambores da Mata, que hoje, às 19:00 horas estão ensaiando na Vila União. Mas a surpresa aconteceu ontem, durante o ensaio, conseguimos um violoncelo, e o músico é um menino apenas, o João Paulo, outra pérola da Vila União. Com ele as músicas "Lira Curta, Valsa Longa" e "Na Cadência do Samba" (Ataufo Alves) tomaram outra dinâmica e, com certeza um tom mais solene.

Abraços,
Vitrola São Jorge



sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tambores de novo


O projeto “Companhia Tambores da Mata” nasceu em 2005, na comunidade do Planalto Universo, na Vila União. O projeto nasceu das mãos do músico João Hugo Costa Albuquerque e da líder comunitária Marliete Pereira da Silva. Nascendo sem apoio de nenhum órgão governamental, o trabalho tinha como intuito o resgate do jovem das áreas de risco através da cultura. O grafite e a percussão eram as expressões artísticas latentes. O projeto de percussão contava com instrumentos emprestados, que logo foram pegos pelo dono. Não deixando o projeto sem movimentação, fomos atrás de latas e garrafas, formando então um grupo de bate-lata. O projeto foi cambaleando, sempre tropeçando na falta de incentivo. Em meados de 2007, do próprio bolso, conseguimos comprar alguns materiais e fazer uma oficina de percussão, onde as crianças aprendiam a criar, afinar e tocar os instrumentos; no início, chegamos a contar com 50 crianças, mas depois esbarramos novamente na falta de incentivo e parcerias e, logo, o projeto voltou a ficar segmentado.

Em Maio desse ano, novos parceiros foram cooptados para o projeto e, além de Hugo Costa, Alexandre Grecco (Jornalista) e Anderson Camelo (Músico) começaram a trabalhar em prol do projeto. Segmentamos o grupo musical, que conta hoje com 13 (treze) crianças, todas oriundas das oficinas de 2007, e formamos a “Companhia Tambores da Mata”, um coletivo musical aberto, de função sócio-cultural que visa dar opções de cultura e arte para as crianças do bairro da Vila União e comunidades vizinhas. O trabalho foi dando resultado; as crianças começaram a aprender ritmos regionais como o Maracatu, Afoxé, Cavalo-Marinho, Coco entre outros. Além do trabalho de aprendizado nas oficinas, estamos agora partindo para a pesquisa musical mais aprimorada, envolvendo esses ritmos citados, sabendo um pouco mais sobre sua história.

Nos últimos meses o grupo tem crescido e vem chamando atenção de outros coletivos e comunidades. Já houve convites para ministrarmos oficinas na comunidade do Lagamar e no bairro da serrinha, mas com a falta de apoio para compra dos materiais fica complicado podermos levar o projeto além do bairro Vila União. Hoje contamos apenas com o espaço para os ensaios e uma caixa de som emprestado pelo Centro Social Urbano Presidente Médici (CSU da Vila União). Em agosto de 2009 montaremos uma nova oficina para cooptarmos novas crianças. Nosso intuito é formar mais percussionistas, abrangermos a pesquisa musical sobre ritmos regionais, discutir com mais ênfase nosso papel no coletivo, conseguir novos parceiros para palestras e workshops (músicos), abranger a noção de espaço e relação com sua comunidade e continuarmos a movimentar cultura e arte não só para a Vila União, mas outras comunidades vizinhas que necessitem de projetos.

Obs: As fotos são da primeira apresentação do "Tambores da Mata"

Alexandre Ferraz Grecco
tamboresdamata@gmail.com

terça-feira, 14 de julho de 2009

Vitrola e Tambores - Novidades


Depois de um tempinho sem escrever no blog, retomamos o “web-universo” com novidades interessantes (como toda novidade tem de ser). Primeira boa notícia, o projeto Companhia Tambores da Mata está começando a dar seus passos mais largos. No último sábado, dia 11/07, nos apresentamos num evento da secretaria de saúde, ali na Vila União, em uma das comunidades de risco. O evento era sobre o combate a dengue e contou com palestras, exames de saúde para a população e apresentações culturais que, dentre eles, estavam o “Tambores da Mata”.

A apresentação foi curta e muito promissora, os meninos entoaram dois afoxés e o pavão Misteryoso, de Ednardo, um maracatu legitimamente cearense. Todo mundo achou bacana, tem quem recordasse os versos da canção que há muito figurava no baú do passado, mas foi entoando, como loa, pelos que estavam presentes. Por fim, fotos, lanches e muita descontração. As fotos eu ainda publicarei aqui no blog, pois ainda não nos foram enviadas (e me esqueci de levar a máquina).

O projeto com os meninos da Vila União vem rolando há poucos meses, o idealizador e criador do projeto é o Hugo Costa, percussionista do Vitrola. As crianças, nas oficinas, aprenderam a fazer, afinar e tocar instrumentos de percussão como surdos, alfaias, atabaques, timbáus, agogôs, triângulos, enfim... Tudo feito sob a tutela do Hugo. Nos últimos meses, veio o convite pra mim (Alexandre Grecco) e o Anderson Camelo (vocalista e guitarrista do Vitrola) ajudarmos nas aulas e na coordenação do projeto, pois é unindo forças esse lance vai pra frente.

Well... E não só os meninos do projeto vêm tendo êxito na busca artística, nós também, a boa notícia da semana é o convite da rádio universitária fm 107,9 para sermos os artistas da semana. Amanhã, dia 15/07, as 9:00 hrs da matina, estaremos lá na rádio concedendo uma entrevista e tirando um som ao vivo. Ainda não sei quando a entrevista vai ao ar e quando as músicas serão veiculadas da programação, mas são capítulos que serão contatos no próximo post.

Saravá!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

My Space

Uma das questões mais complicadas que uma banda como a nossa vive é a discussão eterna do que é global e regional. Anos atrás a produção cultural brasileira era restrita aos moldes sulistas, ou melhor, aos moldes cariocas e paulistas, aquilo não foi uma empreitada desses estados, mas sim uma tentativa fracassada da ditadura conseguir imprimir moldes únicos de criação musical, massificação barata da música brasileira. O que na verdade não chegou a render grandes frutos estéticos, principalmente pela resistência da música produzida em outras regiões.

Para afunilarmos o discurso, o nordeste foi um dos grandes alvos dessa tentativa de unificar a cultura. Mas se manteve firme e apesar das “sampas” da vida, ainda existia coisa pura como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Hoje nossa música é menos rechaçada, principalmente com o advento das novas tecnologias, novas mídias, que nos propiciam a produção independente, ou melhor, a reprodução e divulgação completamente independente.

O My Space é mais ou menos isso, um catalisador gratuito (aparentemente) das produções musicais. Tem de tudo, da pequena virgem que inventa de cantar coisas do Johnny Cash e de repente explode no país todo, ou talvez do Funk Como Le Gusta, que nunca esteve na grande mídia, mas se consolida no meio underground. Como é nosso também esse espaço, que nos da oportunidade de expor nossas músicas, aquelas mesmas, ensaiadas ali no CSU da Vila União, discutidas em bar e que, num clique é ouvida em Vancouver.

Outro grande aspecto da exposição gratuita na internet é a possibilidade de se intregar numa rede infinda. O lance de se fazer amigos no My Space é fundamental. Como disse o Miranda, precisamos ser amigos dos nossos fãs, precisamos estar num estado de relações pessoais. O ídolo inalcançável não existe mais. O músico é hoje mais uma figura que deve pertencer à noite e aos shows, na verdade, o músico deve ser acima de tudo: platéia.

sábado, 13 de junho de 2009

Dos ensaios e gravações...

Essa semana o bicho pega, vamos dar continuação no processo de gravação do EP. Domingo passado gravamos “Ela já não liga mais pra mim” e “Ogunhê”, a primeira foi gravada rapidamente, o “Drum and Base” orgânico do Anael deu o brilho final pra essa música que já era esperada por nós, agora é só partir para masterização e mixagem. Já a segunda música, que aparentemente no ensaio havia mostrado uma certa facilidade na execução, no estúdio, foi um pouco mais trabalhosa, porém já foi adiantada e essa próxima semana já deve estar no nosso my space.

Essa semana é mais ensaio e mais gravação. “23 de Abril” e “Baião de Blues” devem ser as próximas na gravação. Pelo jeito, tudo vai caminhar da forma que pensávamos, à seu tempo, sem pressa. A outra novidade é a participação de alguns integrantes do Vitrola no Projeto do João Hugo (percussionista), que coordena uma oficina de percussão com crianças a partir de 12 anos, onde explora basicamente os ritmos regionais (Maracatu, Afoxé, Coco, Cavalo-Marinho). Esse trabalho é muito valioso por contar apenas com a iniciativa do Hugo. O nosso vocalista, Anderson Camelo entrou para o projeto e vai ser o “Macumbeiro” do grupo, o puxador oficial.

O lance da manutenção das características populares nas comunidades de baixa renda é fundamental. Além da aprendizagem e valorização dos ritmos tradicionais, existe a confecção de instrumento e roupas, enfim, tudo no objetivo da inserção, ou melhor, da subtração desses jovens da marginalização. Cultura, arte e ciência, são os verdadeiros instrumentos de transformações adequados para os jovens. Torcemos pelo caminhar da empreitada. O Vitrola vai entrar contudo nessa parceria de mão dupla.